Um cristão pode namorar uma não cristã ou se casar com ela? E se já forem casados, o que fazer?

Na visão cristã do mundo, poucas coisas são tão sagradas quanto o casamento. Para a Bíblia, o homem e a mulher casados são considerados um só, conforme nos esclarece o apóstolo Mateus:

…e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’? Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe”. (Mateus 19:5-6)

O casamento é tão importante aos olhos de Deus que somente em casos específicos um cristão pode divorciar-se e casar de novo. A regra é mesmo a união para sempre.

Então, para o crente, todo cuidado é pouco na hora de escolher a pessoa a quem namorar e, de forma ainda mais importante, com que casar.

A verdade é que o casamento é essencial no crescimento espiritual das pessoas envolvidas e, principalmente por isso, o crente deve escolher a pessoa certa para se relacionar.

É muito comum um jovem crente querer se envolver com uma jovem descrente porque se interessou por ela e, não raro, passa a criar um mecanismo de auto-convencimento de que aquilo é certo porque tem a esperança de convertê-la durante o namoro. Muitos até consideram a hipótese de casar e tentar fazer isso no curso do casamento.

Antes que eu precise dizer a minha opinião, vamos ver o que a Bíblia tem a dizer sobre isso?

Comecemos então pela orientação que as Escrituras traziam para os Israelitas.

Quando o Senhor, o seu Deus, os fizer entrar na terra, para a qual vocês estão indo para dela tomar posse, ele expulsará de diante de vocês muitas nações: os hititas, os girgaseus, os amorreus, os cananeus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus. São sete nações maiores e mais fortes do que vocês;
e quando o Senhor seu Deus as tiver entregue a vocês, e vocês as tiverem derrotado, então vocês as destruirão totalmente. Não façam com elas tratado algum, e não tenham piedade delas.
Não se casem com pessoas de lá. Não dêem suas filhas aos filhos delas, nem tomem as filhas delas para os seus filhos,

(Deuteronômio 7:1-3)

A razão da proibição para os israelitas de não se casarem com estrangeiras não era nem de longe de índole racial, mas sim espiritual. O verso imediatamente posterior ao trecho que você leu explica o motivo da proibição.

pois elas desviariam seus filhos de seguir-me para servir a outros deuses e, por causa disso, a ira do Senhor se acenderia contra vocês e rapidamente os destruiria.

(Deuteronômio 7:4)

Como pode alguém que adora o verdadeiro Deus querer casar-se com uma pessoa que provavelmente levará os seus filhos a adorarem e servirem a outros deuses? Certamente, tal casamento não é dos planos de Deus e será muito provavelmente fonte de muito sofrimento para o cristão.

O rei Salomão, reconhecido por sua sabedoria, caiu nesta armadilha e teve de arcar com as graves consequências de casar-se com mulheres que adoravam a outros deuses (Neemias 13:26).

A Bíblia ainda nos aconselha que não efetivemos sociedades com descrentes (2 Coríntios 6:14), muito menos a do namoro ou do casamento, sendo esta a mais sérias de todas as sociedades (1 Coríntios 7:39).

Uma das orientações importantes da Bíblia é a de que devemos evitar nos associarmos não apenas com os descrentes, mas também com aqueles que se dizem irmãos mas se comportam como descrentes (1 Coríntios 5:11) e isso, por certo, se aplica ao namoro e ao casamento entre crentes e descrentes.

Em resumo, é o seguinte: se você é crente e está pensando em namorar uma descrente, a Bíblia aconselha a não ir adiante. Se já namora, que acabe o namoro. Na eventual conversão da outra pessoa ao verdadeiro Deus, o namoro sempre pode ser retomado ou mesmo iniciado, a depender do caso específico.

Mas, e se já é casado, o que fazer?

Segundo a Bíblia, a primeira coisa a fazer é não divorciar-se.

Aos outros eu mesmo digo isto, e não o Senhor: se um irmão tem mulher descrente, e ela se dispõe a viver com ele, não se divorcie dela.
E, se uma mulher tem marido descrente, e ele se dispõe a viver com ela, não se divorcie dele.

1 Coríntios 7:12-13

A orientação de Paulo na passagem acima é uma consequência da regra geral do casamento: tornam-se uma só carne e não podem em regra divorciar-se (Gênesis 2:24, Marcos 10:2-12, Mateus 19:5-6).

Se o cônjuge crente casado com o descrente não pode divorciar-se por este motivo, o que então resta fazer?

Resta ter uma vida de oração e de exemplo, cuidando dos interesses lícitos do cônjuge descrente (Filipenses 2:4), para que ele seja tocado pelo seu exemplo e pelo poder do Espírito Santo para que se converta.

Uma boa estratégia é por em prática o fruto do Espírito, para que o coração do outro cônjuge seja amolecido cada vez mais para o Senhorio de Jesus Cristo.

…o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. (Gálatas 5:22-23).

Nunca se esqueça de que o primeiro parágrafo deste nosso bate-papo também se aplica ao casamento entre crente e descrente. Também para esses, o casamento é uma instituição sagrada e que, portanto, deve gerar no crente o desejo de torná-la ainda mais santa pela conversão do outro cônjuge.

Peça ao Senhor e ele lhe dará forças e sabedoria nesta tarefa.

Deus abençoe,

Tassos Lycurgo