Somos livres para escolhermos a salvação? (Tempo, Livre-Arbítrio, Trindade, Amor e Salvação)

Da maneira que eu vejo o Cristianismo, os conceitos todos se correlacionam em um sistema perfeito. No nosso bate-papo de hoje, gostaria de expor a minha opinião sobre este tema tão delicado, que é, basicamente, o da relação entre a onisciência de Deus (Ele sabe quem será e quem não será salvo) e a nossa liberdade em optar ou não pela salvação.

Antes de expor a minha opinião, gostaria já de deixar claro que respeito integralmente os que pensam diferente, ou seja, que tem um entendimento diverso quanto à predestinação. Meu intuito não é mudar a opinião desses, mas sim o de mostrar como o Cristianismo é a visão de mundo mais articulada e fechada que existe, de maneira que, mesmo quando tratamos de temas delicados, é possível pelas evidências chegar a uma interpretação coerente dos conceitos presentes na Bíblia.

Feitas essas colocações iniciais, gostaria de começar o argumento pela característica da atemporalidade de Deus. Para isso, me referirei ao Big Bang. Ao fazer isso, quero dizer que tanto a Bíblia quanto a teoria mais moderna quanto à origem do Universo coincidem em um ponto: juntamente com o universo, foram criados o espaço, a matéria e o tempo.

Dessa maneira, vemos que a causa criadora de tudo o que existe no universo tem de ser atemporal, imaterial e não espacial, que são características de Deus, de acordo com as Escrituras.

A atemporalidade de Deus, em particular, é muito importante para que possamos entender uma questão que muitos cristãos tem, que é a seguinte: se Deus sabe o nosso futuro, como podemos ter livre-arbítrio? Muitos entendem que a onisciência de Deus é incompatível com a nossa liberdade em agir de uma forma ou de outra.

As pessoas que pensam assim argumentam que, independentemente de como ajamos, Deus já saberia qual seria a nossa escolha e, portanto, esta escolha não poderia ser verdadeiramente livre, já que é de prévio conhecimento de Deus.

A resposta para esta questão está exatamente no entendimento do que é ser atemporal. Antes de responder, já quero adiantar que ser atemporal não é ser eterno. O cristão salvo, ao morrer, vai ao Céu e viverá eternamente com Deus, mas não será atemporal. É que embora para o ser eterno o tempo nunca acabe, ele ainda está submetido à dimensão temporal. Em outras palavras, o ser, ainda que eterno, não pode subverter a ordem: passado, presente e futuro.

Deus, que é atemporal, vive fora o tempo e, portanto, não está submetido à ordem passado, presente e futuro. Por essa razão, Ele pode ver o futuro que você livremente escolheu. Em termos um pouco mais técnicos, podemos dizer que o que Deus tem do futuro é a ciência do que você, no exercício do seu livre-arbítrio, decidiu.

Você pode ainda perguntar: mas Deus já não sabe quem e quantos serão salvos? É claro que sim, mas isso não quer dizer que Ele escolheu uns e não outros. Isso quer dizer que Ele tem ciência (conhecimento) dos que livremente escolherão passar a eternidade com Ele. Cabe exclusivamente a nós fazermos por onde sermos salvos; a Deus coube, por meio de Jesus Cristo, possibilitar este caminho a qualquer um que queira.

Veja ainda que a nossa liberdade em escolher amar a Deus é central para que possamos oferecer a Deus o que Ele verdadeiramente busca de nós, que é o amor. Ora, como poderíamos amar verdadeiramente a Deus e, portanto, optarmos pela salvação, se não tivéssemos a real possibilidade de rejeitar esse amor?

Não há como fazer que outra pessoa ame, a não ser que ela possa não amar. O amor pressupõe a liberdade em escolher amar ou não amar. Em outras palavras, não se pode forçar alguém a amar. No máximo, pode-se forçar alguém a se comportar como se amasse, mas isso, conforme sabemos, não é verdadeiramente amor.

Assim, podemos dizer que o livre-arbítrio é um pressuposto do amor. Mas, você já parou para pensar o amor, por sua vez, é um pressuposto da Trindade? Explico. Sabemos que Deus da Bíblia é amor (1 João 4:8). Não é que Ele ame apenas, mas que Ele é em si amor.

Na realidade, esta é uma característica que diferencia a Bíblia de outros textos sagrados. No Corão, por exemplo, há noventa e nove formas de se referir a Deus, mas nenhuma delas é amor. Para a Bíblia, Deus é amor antes mesmo dade criar o mundo e os seres humanos. Mas como poderia isso ser possível, já que amor pressupõe uma relação, ou seja, alguém a ser amado?

Sabemos também que o amor, diferentemente da Santidade (outra característica de Deus), somente se realiza em uma relação com alguém a ser amado. Então, antes mesmo da criação de seres para serem amados, Deus enquanto amor sempre existiu na relação de amor entre outras pessoas. Mas, que pessoas seriam essas? Ora, falamos aqui das pessoas da Trindade: o Pai, o Filho (Logos) e o Espírito Santo, que se relacionando em amor, dão sentido à afirmação de que o Deus da Bíblia não apenas ama, mas é em si amor.

Aliás, é por ser amor que Deus fez o que fez. Somente um amor que fosse da essência de Deus, possibilitaria que o verso que resume o Evangelho fosse escrito:

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:16).

Assim, vemos como os conceitos do Cristianismo se interrelacionam de forma harmoniosa, oferecendo o pano de fundo perfeito para que os seres humanos possam estar cada vez mais convictos de que o Deus Trino, que é em si amor, nos deu o livre-arbítrio para que pudéssemos livremente decidir quanto ao nosso futuro e optar pela salvação, para que possamos viver eternamente ao seu lado.

Para que você possa saber mais sobre o nosso posicionamento sobre este tema, convido-o agora a assistir ao curto vídeo abaixo, em que apresento os argumentos aqui expostos de forma um pouco mais detalhada.

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Deus abençoe,

Tassos Lycurgo