Será que os apóstolos mentiram sobre a ressurreição de Jesus?

Nas andanças que tenho feito apresentando as razões históricas, científicas e filosóficas para seguirmos Jesus Cristo, sempre encontro pessoas muito interessadas e inteligentes, que muitas vezes trazem questionamentos relevantes para sua fé. Ao final de um desses eventos, um jovem de semblante inquieto me fez uma pergunta bastante importante para o Cristianismo. O conteúdo da pergunta era exatamente o que dá que dá título ao nosso bate-papo de hoje: Será que os apóstolos mentiram sobre a ressurreição de Jesus?

A situação transcorreu mais ou menos assim:

Falava na ocasião sobre a ressurreição de Cristo. Após o término do evento, o jovem se aproximou de mim e me perguntou:

“Por que devemos entender o significado da ressurreição de Cristo, que foi algo que provavelmente não ocorreu?”

“Então, você não acredita que Jesus ressuscitou dos mortos?”, perguntei-lhe.

“Não, claro que não”

“Se ele não ressuscitou, o que ocorreu, já que nem mesmos os judeus negaram que o túmulo estava vazio?”

“Os seus seguidores pegaram o corpo do túmulo e combinaram que espalhariam a falsa notícia de que Jesus havia ressuscitado.”

Bem, tive então que apresentar alguns argumentos que me levam a discordar daquele brilhante jovem, monstrando que a razão nos direciona a crer na ressurreição de Cristo entre os mortos.

Como sei que esta deve ser a dúvida de mais alguns, resolvi tratar deste assunto aqui. Vamos a ele.

Em primeiro lugar, lembremos do comportamento dos apóstolos nos dias que se seguiram a morte de Jesus até o advento da ressurreição. Será que eles ficaram cheios de coragem e passaram a defender o cristianismo com unhas e dentes? Não, pelo contrário. Os seguidores de Cristo mais pareciam homens covardes, medrosos, que não sabiam o que fazer, já que o seu líder havia morrido.

Um bom exemplo foi Pedro, que depois de ter negado conhecer Jesus (Marcos 14:68, Lucas 22:57, João 18:17), preferiu naquela ocasião voltar à sua velha profissão de pescador (João 21:3) em vez de manter-se em seu chamado.

O que então teria levado esses discípulos a se reunirem e forjarem uma suposta ressurreição do Cristo, conforme não apenas sugeria o jovem mas também o fizeram alguns judeus (Mateus 28:11-15) naquele tempo e ainda nos dias de hoje?

Essa foi inclusive uma pergunta que fiz ao jovem diretamente, só que na seguinte forma:

“O que os discípulos ganhariam com essa história da ressurreição?”

Ele me respondeu: “Prestígio, poder, fama… Essas coisas que os homens buscam desde sempre até hoje.”

Ora, na realidade, a defesa da ressurreição de Cristo que os discípulos fizeram só trouxe a eles perseguição, tortura e morte. Todos foram assassinados por defenderem que Cristo ressuscitou entre os mortos, à exceção de João, que teve pena de morte transformada em exílio, que cumpriu na ilha de Patmos, onde inclusive escreveu o livro do Apocalipse, para depois voltar a Éfeso e morrer de causas naturais.

De forma bastante breve, vamos dar um olhada no que a corrente majoritária dos historiadores tem a nos contar sobre destino de alguns dos demais discípulos, cujos nomes os colocarei em ordem alfabética:

  1. André: crucificado em uma cruz em forma de xis, que inclusive inspirou a bandeira da Escócia.
  2. Barnabé: os judeus o apedrejaram até a morte.
  3. Bartolomeu: esfolado até a morte.
  4. Filipe: crucificado.
  5. Judas: crucificado.
  6. Lucas: enforcado em uma oliveira.
  7. Marcos: queimado até a morte.
  8. Mateus: assassinado com uma espada.
  9. Matias: apedrejado e decapitado.
  10. Paulo: decapitado.
  11. Pedro: crucificado de cabeça para baixo.
  12. Simão: crucificado.
  13. Tadeu: assassinado com flechadas.
  14. Tiago (irmão de Jesus): apedrejado até a morte.
  15. Tiago Menor: martirizado até a morte.
  16. Tiago (filho de Zebedeu): assassinado com uma espada.
  17. Tomé: martirizado até a morte.

Como, então, um grupo tão grande pessoas se deixaria perseguir, torturar e matar por algo que eles saberiam que era mentira?

É bem verdade que há alguns mártires na história que morreram em defesa de algo que era falso, mas em todos esses casos esses mártires pensavam que estavam morrendo por algo verdadeiro. Esta é a diferença que faz do caso de Cristo um fato histórico único e inigualável se comparado com qualquer outro: em qualquer situação, os discípulos criam no que alegavam (pois se deixaram matar sem negar que Cristo ressucitou), o que é incompatível com a hipótese de que estavam em conluio para disseminar uma mentira.

Nada senão o evento sobrenatural da verdadeira ressurreição de Jesus Cristo fez com que aqueles homens tão amedrontados e covardes fossem radicalmente transformados a ponto de se tornarem apóstolos incansáveis, corajosos e certos do que estavam fazendo.

Talvez nada mais bem represente o espírito do grupo do que a frase de Paulo em sua carta aos Filipenses, em que registra que para ele o viver é Cristo e o morrer é lucro (Filipenses 1:21). Somente pessoas que realmente tiveram a existência radicalmente impactada pelo Cristo ressurrecto poderiam dar a própria vida por Ele, pois sabem que o morrer por Cristo nada mais é do que lucro.

Paulo estava tão convicto da ressurreição de Cristo que não titubeia em esclarecer que este fato histórico da ressurreição é tão certo que é o fundamento de todo o sistema do Cristianismo. Nas palavras de Paulo que lemos em sua primeira carta à igreja de Corinto está claro: “se Cristo não foi ressuscitado, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”. (1 Coríntios 15:14).

O jovem que me fez o importante questionamento naquele dia viu que defender que os apóstolos haviam mentido sobre a ressurreição de Cristo não era nem de perto uma hipótese viável do ponto de vista histórico.

A crença na ressurreição de Jesus por Deus, além de ser a hipótese histórica mais viável, é um dos pre-requisitos bíblicos para aquele que pretende viver a Eternidade ao lado de Deus. Se você ainda não está certo sobre o que acontecerá com você após a sua morte, minha sugestão é a de que siga os passos do que chamamos de Oração de Salvação. Se você fizer isso com sinceridade do coração, pode ficar certo que estará tomando a decisão mais importante de sua vida.

Deus abençoe,

Tassos Lycurgo