Será que o versículo 1 Reis 6:1 errou quanto à data do Êxodo? E, afinal, quem era o Faraó nesta época?

O primeiro verso do capítulo 6 do Livro de Reis traz uma dificuldade que, para alguns, é intransponível, a ponto de considerarem que há ali um equívoco histórico das escrituras.

No nosso bate-papo de hoje, demonstraremos que em vez deste versículo ser um erro, ele está de acordo com as teorias mais modernas da história no que diz respeito à determinação de quem foi o faraó do Egito na época do Êxodo.

Além disso, tal demonstração corroborará com a ideia de que a Bíblia é infalível e sem contradições, já que é a Palavra de Deus (2 Timóteo 3:16).

Para fazer isso, iremos ler a Escritura em questão, então eu apresentarei a dificuldade histórica decorrente dela. Somente após entendermos o problema, é que eu irei enveredar pela solução. Está bem assim?

Se está, vamos logo ao versículo:

E sucedeu que no ano de quatrocentos e oitenta, depois de saírem os filhos de Israel do Egito, no ano quarto do reinado de Salomão sobre Israel, no mês de Zive (este é o mês segundo), começou a edificar a casa do SENHOR. (1 Resi 6:1)

O texto que acabamos de ler estabelece algumas informações sobre a data em que o Templo começou a ser construído:

  1. O Templo começou a ser construído no quarto ano do Reinado de Salomão; e
  2. O Templo começou a ser construído 480 anos após o Êxodo, ou seja, a saída dos filhos de Israel do Egito, a que o versículo se refere.

Vale registrar que a Bíblia em Crônicas 3:2 repete a mesma informação que está no item (1) acima:

E começou a edificar no segundo mês, no segundo dia, no ano quarto do seu reinado (2 Crônicas 3:2)

Como sabemos que o início da construção do Templo se deu no ano de 968 a.C, podemos inferir as demais datas.

Só para que você se situe mais ainda, veja estes detalhes:

  • Em 971 a.C., o reinado de Salomão se inicia (1 Crônicas 29:23);
  • Em 968 a.C., o Templo começa a ser construído (1 Reis 6:1);
  • Em 961 a.C., a construção do Templo se encerra (1 Reis 6:38);
  • Em 936 a.C., começa a queda de Salomão (1 Reis 11:6);
  • Em 934 a.C., Jeroboão é escolhido (1 reis 11:31); e
  • Em 932 a.C., Salomão morre (2 Crônicas 9:31).

Mas diante de todas essas datas, qual é o problema histórico que aparece?

Bom, ao somarmos o ano do início da construção do Templo (968 a.C.) ao número de anos que o texto de 1 Reis 6:1 apresenta, que é 480, chegaremos a data de 1448 a.C.

Aqui é que aparece o problema.

A consenso da história é que o Faraó do Egito durante o Êxodo era Ramses II.

Ocorre que o reinado de Ramses II se deu do ano de 1279 a 1213 a.C., a segundo mais longo reinado da história do Egito.

Assim, o Êxodo teria ocorrido nos anos 1200 a.C. e não nos anos 1400 a.C., conforme concluímos a partir de 1 Reis 6:1.

Como resolver isso?

Em outras palavras, será que esta data do Êxodo a qual chegamos por 1 Reis 6:1 está certa, ou estaria errada por “alguns séculos”, como alguns propõem?

Um dado que não podemos deixar de lado é que todas as demais referências da Bíblia propõem os anos de 1400 a.C. para o Êxodo e não os anos de 1200 a.C.

Ah, deixe-me apenas enumerar algumas passagens que são coerentes com 1 Reis 6:1 no que tange ao período da Êxodo: Êxodo 12:40, Juízes 11:26, Atos 13:20, entre outros, a exemplo de Gálatas 3:17. Todas essas são exemplos de passagens que servem de referencial para chegarmos ao período do Êxodo nos anos 1400 a.C.

Pelo menos do ponto de vista da coerência, a Bíblia é unânime em apontar a mesma data.

De acordo com a data da Bíblia, portanto, o faraó do Êxodo foi o que reinava nos anos 1400 a.C.

De acordo com a cronologia convencional dos faraós, temos o nome de Aakheperrure Amenhotep II como o faraó que reinou do ano de 1479-1425.

O que poucos sabem é que existe uma revisão à data convencional que foi principalmente elaborada principalmente por Donovan Courville na obra “O Problema do Êxodo e suas ramificações: um exame crítico da relação cronológica entre Israel e os povos contemporâneos da Antiguidade”. Se quiser procurar a obra no original, segue o título: “The Exodus Problem and Its Ramifications: A Critical Examination of the Chronological Relationships Between Israel and the Contemporary Peoples of Antiquity”.

De acordo com a tese de Courville, que é exaustivamente consubstanciada pela arqueologia, a cronologia dos faraós do Egito deve ser ajustada em alguns séculos. É interessante notar que que esta revisão tem base sólida arqueológica.

Mais interessante ainda é o fato de que, caso aceitemos a revisão, a Bíblia faz mais sentido ainda. Explico.

É que se considerarmos esta revisão e também a data de 1 Reis 6:1 (e das demais passagens bíblicas), a história passa a indicar o faraó da época do Êxodo como o rei Tom e não mais Amenhotep II, nem muito menos Ramses II.

Qual a importância disso?

Ora, isso dá ainda mais sentido ao que lemos em Êxodo 1:11, que diz que:

Estabeleceu, pois, sobre eles, feitores para acabrunhá-los com trabalhos penosos: eles construíram para o faraó as cidades de Pitom e Ramsés, que deviam servir de entreposto. (Êxodo 1:11)

A Bíblia narra aqui a situação dos judeus um pouco antes de sua saída do Egito (do Êxodo), mostrando que eles eram feitos escravos para, entre outras coisas, construírem a cidade de Pitom.

Você sabe o que quer dizer a etimologia da palavra “Pitom”? O termo “Pitom” quer dizer “A Morada de Tom”, ou seja, de quem seria o então faraó do Egito naquela época, que foi o momento histórico em que logo depois se daria o Êxodo.

Conforme vimos, a Bíblia apresenta indícios de veracidade inquestionáveis, a ponto de somente no Séc. XX nós podermos ver uma reformulação da história secular que aponta para o que a Bíblia já vinha indicando há dezenas de séculos.

Caso tenha alguma dúvida, por favor coloque logo abaixo, nos comentários.

Deus abençoe,

Tassos Lycurgo