Qual é a Fé que Cristo quer de nós?

Fé é uma das palavras mais importantes da vida cristã, talvez também seja uma das mais pronunciadas na igreja, mas, infelizmente, nem sempre é entendida em sua plenitude. Nosso objetivo aqui será o de apresentar elementos para que possamos ter uma visão mais clara do que é fé e, portanto, para que possamos ter uma caminhada cristã mais completa e realizadora.

Vamos começar por esclarecer que fé não é um sentimento. Muitos pensam que a fé é uma espécie de sensação que nos acomete, que sempre nos emociona. É bem verdade que, ao andarmos em fé, podemos mesmo ficar muito emocionados com o que Deus pode fazer por meio de nossa vida e não há qualquer problema nisso. Mas, ser algo que emociona não é uma boa definição de fé, pois, conforme todos sabemos, há muitas outras coisas que nos emocionam e que não tem qualquer relação com a fé, assim como há muitas manifestações de fé que não necessariamente nos emocionam.

Assim, vimos que a fé não é um sentimento. O que seria então? Muitas pessoas definem fé como uma confiança; no caso da fé cristã, uma confiança em Jesus Cristo. Bom, esta definição não está errada, embora esteja incompleta. Vejamos: a fé é uma confiança em Jesus Cristo, mas não apenas isso, é uma confiança que exige um comportamento correspondente a esta confiança, independentemente das circunstâncias que se apresentam.

Aqui vamos acrescentar um elemento central ao conceito: embora a fé seja uma confiança que exige um comportamento correspondente a essa confiança, independentemente das circunstâncias, ela não nega as circunstâncias. É muito importante entender isso. Quando uma pessoa que tem fé passa por um problema (uma doença, uma dificuldade, etc.), ela não deve negar que o problema existe, mas deve comporta-se com base na confiança que tem em Jesus Cristo e não com base na ansiedade ou na preocupação que o problema é capaz provocar. Em resumo, a pessoa sabe que o problema existe, mas também sabe que Deus é maior, pois confia em Cristo. Jesus nos ensina que embora devamos saber que no mundo há aflições, devemos ter bom ânimo, pois ele venceu o mundo (João 16:33).

Para que fique ainda mais claro, gostaria de dizer da seguinte forma: a fé que nega as circunstâncias do problema pelas quais alguém está passando é uma fé esquizofrênica, da mesma forma que a pessoa que se comporta com base em tais circunstâncias é uma pessoa que não tem verdadeiramente fé, pois mesmo que ache que confia em Cristo, essa confiança não é capaz de gerar um comportamento nesta pessoa correspondente a fé (confiança) que diz ter.

Outra coisa importante sobre a fé é o seguinte: a fé não é irracional, cega, sem fundamento na razão. Ora, deve ser a nossa própria razão que deve nos informar que, para aquele que crê, é correto se comportar com base na sua crença em Cristo e não nas circunstancias que se apresentam (1 Pedro 3:15). Quando a razão não sustenta a fé, a pessoa tem uma fé tão frágil quanto uma folha seca; da mesma forma, quando temos uma fé com base racional, ela é forte como o carvalho e capaz de nos sustentar e gerar correspondência em nosso comportamento, independentemente de quão desfavoráveis possam parecer as circunstâncias.

Aqui, vamos trazer outro ponto muito importante: embora a fé deva ter sustentação racional, ela não se limita à razão. Talvez muitos defendam que a fé não tem nada a ver com a razão porque não conseguem estabelecer a diferença entre ter uma fé com base racional e ter uma fé que se limite à razão. A fé vai além da razão, embora não seja contrária a ela. Vamos trazer uma história que demonstrará muito bem como a verdadeira fé se sustenta na razão, não nega as circunstâncias, mas vai além de tudo isso.

O exemplo diz respeito a um dos pequenos circos, que andavam de uma pequena cidade a outra, no interior do Brasil, apresentando seus números e divertindo a população desses pequenos lugarejos. Em um desses circos, havia um número muito interessante: o do arremessador de facas. Nunca se havia visto alguém com tamanha habilidade. Aquele homem, de aparência única, colocou sua assistente contra uma proteção de madeira, e pediu para ela segurar diferentes objetos para que ele, de uma distância de uns quatro metros mais ou menos, pudesse acertá-los arremessando as facas.

A moça colocou um balão na mão esquerda e o arremessador, em um lapso, acertou o balão com a faca. A moça pegou uma maçã com a outra mão, e não foi diferente. Colocou, por fim, uma venda nos próprios olhos, e arremessou a faca para acertar uma vela acesa em um pires, que estava sobre a mão da ajudante. O momento de tensão logo se transformou em um momento de entusiasmo quando a faca, decidida, não apenas acertou a vela, mas a acertou no  lugar certo para apagá-la. Não havia uma só pessoa no circo que duvidasse da habilidade do arremessador de facas.

Poucos segundos depois, o apresentador do circo pega o microfone e pergunta em voz alta para toda a plateia se todos acreditavam que o arremessador acertaria, de olhos vendados, um pequeno alvo colocado estrategicamente sobre o chapéu da assistente. Todos, em uma só voz, concordaram que ele acertaria sem qualquer dificuldade. Foi aí que algo incrível aconteceu: o apresentador, então, disse que não seria a assistente que usaria o chapéu e perguntou se na plateia havia algum voluntário que gostaria de colocar o chapéu com o alvo em cima para o arremessador atirar a sua faca. Fez-se um grande silêncio no circo e ninguém quis se voluntariar.

Veja que todos criam, confiavam, tinham fé que o arremessador, apesar das circunstâncias da dificuldade do ato, acertaria o arremesso da faca. Todos tinham inclusive uma confiança baseada na razão, já que havia visto ele fazer coisas ainda mais difíceis e, portanto, seria razoável crer que o arremessador não erraria jamais. Então, por que ninguém se voluntariou? Havia algo além da confiança que não estava presente ali: a confiança que gera comportamento correspondente.

Da mesma forma é a fé em Cristo, não basta que saibamos o que Jesus é capaz de fazer, nem mesmo basta que nossa fé seja baseada na razão, é preciso que nossa fé gere um comportamento que corresponda ao que cremos. É preciso que estejamos abertos para o que Cristo quer fazer em nossa vida e que façamos isso com uma confiança tão grande que, embora haja circunstâncias contrárias, nossa fé é tão verdadeira que é ela quem toma as rédeas de nosso comportamento e faz com que atuemos de acordo com a confiança em Cristo e não com os problemas que aparecem.

O grande momento na caminhada cristã é quanto não apenas cremos que Cristo pode fazer algo, mas passamos a crer em Cristo. Isso se dá quando nossa confiança não é uma certeza de algo, mas  uma certeza em alguém. Esta é a fé que Cristo espera de nós e faz com que tenhamos a vida completa e realizadora que o Jesus pode nos oferecer.