O que a Ciência e a Filosofia têm a dizer sobre a Existência de Deus?

Quando nos voltamos para o debate do Século XXI sobre a relação entre ciência e religião, a resposta para a pergunta “Deus existe?” dependerá de como a pessoa se posicionará em relação às mais profundas questões existenciais humanas.

A fim de ajudar as pessoas a terem subsídios para responder de forma embasada a essas perguntas, os apologistas cristãos investigam o que a ciência e a filosofia teriam a dizer sobre as afirmações do cristianismo.

Com esse propósito em mente, os apologistas utilizam a metodologia de comparar os resultados da investigação científica e filosófica sobre a causa do universo com as características do Deus cristão, presentes na Bíblia.

Em resumo, podemos desde já adiantar que as características bíblicas de Deus são as seguintes:

  1. Atemporalidade (sem causa),
  2. Não-espacialidade,
  3. Imaterialidade,
  4. Poder ilimitado (todo-poderoso),
  5. Inteligência suprema,
  6. Pessoalidade (ou seja, tem uma mente) e
  7. Moralidade (bondoso).

A investigação do que a ciência e a filosofia têm a dizer sobre isso geralmente é feita por meio dos três argumentos apologéticos mais comuns:

  1. Argumento Cosmológico,
  2. Argumento Teleológico, e
  3. Argumento Axiológico.
  • Argumento Cosmológico

É interessante notar que a concepção de um universo eterno durou desde a Antiguidade até há menos de cem. Havia apenas um livro, escrito no século XIV a.C. que tinha uma concepção diferente sobre a existência do universo. Falamos do livro de Gênesis.

A ideia que este livro apresentava foi considerada tão bizarra, que quase não foi levada a sério pela ciência por pelo menos 33 séculos. A ideia era a de que o universo não havia existido desde sempre, mas, pelo contrário, havia na realidade sido criado a partir do nada.

Criação a partir do nada (creation ex nihilo) era um conceito que ninguém estava disposto a aceitar, em parte porque a ideia de “nada” não deveria ser tomada como a da ausência de forma ou matéria apenas. A ideia de “nada” significava a ausência de tudo, ou seja, tal ideia implicava que não havia espaço, não havia matéria, e não havia tempo “antes” da criação do universo.

Os cientistas ficaram completamente atônitos quando a ciência dos séculos XX e XXI começou a oferecer evidências (como a Segunda Lei da Termodinâmica, o Universo em Expansão, a radiação de fundo, e a Teoria da Relatividade, entre outras) de que o universo foi realmente criado a partir do nada e, portanto, sua causa deveria ser não-espacial, imaterial e atemporal, já que somente ali era que espaço, matéria e tempo teriam passado a existir. Além disso, essa causa tinha de ser todo-poderosa, uma vez que criou tudo a partir do nada.

  • Argumento Teleológico

A ciência contemporânea mostrou que o universo está impressionantemente afinado a fim de permitir que a vida sobre a Terra exista. Há mais de 120 variáveis que estão milimetricamente afinadas para que um universo que permita a vida possa existir. Tomando a taxa de expansão do universo como um exemplo, vemos que se apenas uma porção diminuta desta taxa fosse alterada, a formação de planetas não seria possível e, por conseguinte, a existência de vida também não.

Além disso, tem sido reiteradamente demonstrado que o DNA pode ser entendido com um alfabeto que em cada célula é estruturado de forma específica a representar uma quantidade incrível de informação significativa.

Como tanto de acordo com os nossos critérios científicos (ver projeto SETI da NASA, por exemplo), como de acordo com os nossos critérios do bom senso, informação significativa é sempre um produto de uma mente, podemos dizer que a causa do universo, além de ter de ser muito inteligente (a fim de ser capaz de ajustar todas as variáveis para que um universo que permite a vida possa existir), também tem uma mente. Ora, como tem uma mente, podemos dizer também dizer que é uma causa pessoal.

  • Argumento Axiológico

Este argumento mostra que existe uma lei moral objetiva e que o relativismo moral é autodestrutivo. Como, por experiência, sabemos que toda lei tem um legislador, é extremamente razoável defender que esta lei moral objetiva tem um legislador moral objetivo. Entre as hipóteses que existem, de longe a melhor para representar esse legislador moral objetivo é Deus (um Deus moral), que segundo o Cristianismo, é a fonte última da moralidade.

  • Conclusão

Em conclusão, pode-se dizer que a ciência e a filosofia não só vão o encontro da resposta cristã à pergunta “Deus existe?”, mas também chegam às mesmas características para a causa do universo que são encontrados por Deus na Bíblia: atemporalidade, não-espacialidade, imaterialidade, poder ilimitado, inteligência, pessoalidade e moralidade.

Também por isso é que cada vez mais temos a certeza de que o Deus do Cristianismo é a expressão da verdade e, graças a isso, os cristãos não devem temer o conhecimento. A boa filosofia e a boa ciência levarão para o mesmo lugar em que a Bíblia está há séculos: a certeza de que Deus existe e de que Ele se revela tanto de forma geral, pela natureza, como de forma especial, pelas Escrituras Sagradas.

Deus abençoe,

Tassos Lycurgo