O Espiritismo é Cristão?

O Espiritismo é um movimento iniciado por Allan Kardec no Séc. XIX, mas que encontrou apenas no Brasil campo para desenvolver-se de forma significativa. O que é bastante preocupante para nós é que existe no Brasil um falso entendimento de que a Doutrina Espírita é cristã e isso, somado ao grande número de cristãos meramente nominais, faz com que tenhamos um fenômeno impressionante se comparado com quaisquer outros países do mundo: um número significativo de pessoas no Brasil freqüentam aos domingos reuniões que se dizem cristãs e sessões espíritas em outros dias da semana.

O objetivo do nosso bate-papo de hoje é modesto, embora muito importante: queremos apenas lançar luz sobre o óbvio, isto é, sobre o fato de que Espiritismo e Cristianismo são absolutamente inconciliáveis entre si. Dessa maneira, a conclusão a que queremos chegar é a de que se entenda que se alguém se diz Espírita, por força da coerência, não pode dizer-se cristão, e vice-versa.

Para que comecemos o argumento propriamente dito, convido-o a assistir ao curto vídeo abaixo, em que coloco de forma resumida alguns importantes pontos quanto ao que estamos tratando aqui. Continuaremos após o vídeo.

Conforme você assistiu no vídeo, o espiritismo se distancia de forma inconciliável do Cristianismo em principalmente três pontos:

  1. Nega a divindade de Jesus;
  2. Nega a necessidade do sacrifício de Jesus como elemento possibilitador da nossa salvação; e
  3. Nega a única vida aqui como tempo para decidirmos quanto à vida eterna com Deus, já que defende um sistema de reencarnações sucessivas, tal como o fazem algumas religiões orientais.

É claro que há ainda muitas práticas e conceitos espíritas que são anti-cristãos, tais como a prática de tentar se comunicar com espíritos de pessoas que já morreram, ou a conceituação dos espíritos como entes que são criados ignorantes para evoluírem com as alegadas reencarnações sucessivas.

Uma objeção que muitas vezes escuto é a seguinte: “para o Espiritismo, Jesus foi um grande mestre, um espírito extremamente evoluído, que veio a Terra para servir de modelo moral para a humanidade. Isso faz do Espiritismo uma doutrina cristã”.

Será?

Para responder a esta objeção, começo por citar a famosa passagem de C. S. Lewis, que com a sua habitual maestria, diz que:

Tento aqui impedir que alguém diga a grande tolice que sempre dizem sobre Ele [Jesus Cristo]: ‘Estou pronto a aceitar Jesus como um grande mestre em moral, mas não aceito sua afirmação em ser Deus.’ Isto é exatamente a única coisa que não devemos dizer. Um homem que foi simplesmente homem, dizendo o tipo de coisa que Jesus disse, não seria um grande mestre em moral. Poderia ser um lunático, no mesmo nível de um que afirma ser um ovo escalfado, ou mais, poderia ser o próprio Demônio dos Infernos. Você decide. Ou este homem foi, e é, o Filho de Deus, ou é então um louco, ou coisa pior… Você pode achar que ele é tolo, pode cuspir nele ou matá-lo como um demônio; ou você pode cair a seus pés e chamá-lo Senhor e Deus. Mas não vamos vir com aquela bobagem de que ele foi um grande mestre aqui na Terra. (C. S. Lewis, em Cristianismo Puro e Simples).

Em outras palavras, defender que Jesus foi um grande mestre moral mas não Deus, quem afirmou verdadeiramente ser, é uma contradição e incoerência do pensamento. Grandes mestres não mentem.

Isso, claro, sem precisar registrar que a Bíblia estabelece a divindade do Messias em muitos outros pontos que não necessariamente na fala e ou no comportamento de Jesus. Para citar apenas uma delas, vamos ao início do Evangelho de João, combinando os versos 1 e 14 do primeiro capítulo:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. […]. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. (João 1:1, 14)

Caso você ainda tenha alguma dúvida sobre a divindade de Jesus ou mesmo sobre a afirmação de C. S. Lewis, convido-o a assistir a mais este vídeo logo abaixo. Tenho certeza que ele esclarecerá estes pontos em aberto.

Embora existam inúmeros espíritas que sejam pessoas extraordinariamente boas, isso não faz do Espiritismo verdadeiro. A verdade é algo que está fora das intenções das pessoas. A verdade é a correspondência perfeita do sistema de pensamento com a realidade das coisas.

Caso você queira conhecer a verdade e usufruir a liberdade que ela promove (João 8:32), o primeiro passo é abrir o coração para esta verdade. Garanto que você nunca mais será o mesmo. Se ainda houver dúvidas, por favor sinta-se à vontade para colocá-las nos comentários logo abaixo.

Deus abençoe,

Tassos Lycurgo