Igrejas sem Cristo: será que Van Gogh estava certo?

Não sei se você concorda comigo, mas estou convencido de que quando admiramos as noites estreladas, temos dimensão do poder artístico de Deus. Realmente, só quem nunca teve a oportunidade de olhar para o Céu cheio de estrelas em um lugar sem a interferência das luzes da cidade, é que não entende a grandiosidade da glória de Deus.

Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. (Salmos 19:1)

As noites estreladas ensinam muito sobre Deus, sobre a sua magnífica capacidade criativa e sobre como devemos olhar para a natureza e apreciar não apenas o belo, mas também o bom e o verdadeiro.

Você já notou que nos dias da criação, Deus olha para o que faz e em vez de primeiro dizer que é belo, diz que é bom? Para ficar mais claro, que tal nos lembrarmos do primeiro dia da criação?

No princípio criou Deus o céu e a terra.
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.
E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.

(Gênesis 1:1-5)

E este padrão se repete durante toda a criação. Só para reforçar, vamos agora ver a referência ao Sol e à Lua, no quarto dia:

E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas.
E Deus os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra,
E para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom.

(Gênesis 1:16-18)

A criação, a exemplo da luz, é não apenas detentora de beleza, mas também de bondade. Ética e estética se misturam na produção criativa de Deus. O céu não só é belo, mas também é bom. Ou seja, nunca mais podemos olhar para a noite estrelada e dizer que é apenas bela, mas também temos de dizer que é boa.

Como já era mais do que esperado, a beleza do céu impressionou também e principalmente os artistas. Entre as obras que retratam o céu, talvez a mais conhecida seja “De sterrennacht”, ou “A Noite Estrelada”, de Vincent van Gogh:

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Gostaria que você, antes de continuar a leitura, voltasse mais um pouco para a imagem acima e prestasse atenção a todos os detalhes. Repare no céu que brilha, que está em movimento, que pulsa vida, que representa por meio da luz a beleza, a bondade e a verdade em Cristo.

Além da noite cheia de estrelas, vemos também uma cidade, com seus vários prédios. Todos estão sendo iluminados pela luz da noite, além do que os prédios também ajudam a iluminar a cidade com as luzes que saem de suas janelas, representando o fato de que o Espírito Santo de Deus atua em nós para que sejamos canais da luz de Cristo para as outras pessoas, para que essas também encontrem a verdade.

O cristão deve ser, antes de tudo, luz para o mundo. E isso o quadro representa muito bem. Mas, espere um pouco! Parece que a análise não termina por aí. Vamos investigar a cidade mais de perto.

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Veja que de todos os prédios parece emanar a luz da beleza, da bondade e da verdade em Cristo. Mas você está notando que há apenas um prédio que está na escuridão, que não tem a presença do Cristo? Você identificou que prédio é este? Sim, é o prédio da igreja.

Vamos trazer a questão para os dias de hoje e para a nossa realidade: será que a Luz de Cristo não resplandece em alguma igrejas? Pelo que tenho visto, é possível que sim. Muitas denominações se preocupam com tudo no mundo mas não com o que é mais importante: ser a luz de Cristo para o lugar onde estão localizadas.

Estamos vendo muitas igrejas na escuridão, como a representada por Van Gogh. Há muitas igrejas se esforçando mais em criticar outras denominações do que em ser fonte de luz para a comunidade em que estão inserida. Como nunca aconteceu antes, estamos vendo o incentivo às contendas entre irmãos, à disputa de cargos eclesiásticos, à relativização dos valores bíblicos. A igreja não pode aceitar transformar-se em simples clube social ou palanque político.

A igreja que quer ser luz para as pessoas deve fazer-se uma pergunta a cada manhã: será que se encerrarmos as nossas atividades, a comunidade em que estamos inseridos e as pessoas que passam por nossas calçadas sentirão falta de nós? Somente uma igreja que se torna relevante para a comunidade, que se torna fonte de luz para a salvação da vizinhança (evangelismo) e para o seu crescimento em Cristo (discipulado) é que verdadeiramente emanará luz.

O que está faltando para termos mais e mais igrejas que verdadeiramente iluminem? Nosso papel como cristãos é fazer com que a luz de Cristo seja acesa nas igrejas, de maneira que a representada no quadro de Van Gogh seja apenas uma rara exceção. O Reino de Deus precisa de você para isso. E precisa agora.

Deus abençoe,

Tassos Lycurgo