“Deus não está morto”: podemos dizer o mesmo de nossos jovens?

“Quero dizer que meu filho publicou um livro e que este livro está inclusive vendendo muito bem”, disse o senhor grisalho do canto da sala em que nos reuníamos. Ele, então, começou a embargar a voz e, para a nossa surpresa, bem emocionado, continuou: “O título do livro é ‘Por que abandonei a fé do meu pai’”. Após um momento de silêncio cheio de compaixão, voltou a falar: “tornei-me um apologista para resgatar o meu filho…” Cabisbaixo, o senhor então sentou-se, mas não sem antes nos ter feito pensar seriamente sobre como estamos preparando nossos próprios filhos.

Essa história aconteceu há duas semanas, quando estive na Carolina do Norte em um encontro com cinquenta e dois apologistas de todos os Estados Unidos. Havíamos acabado de ouvir o relato sobre mais um jovem sendo vítima das universidades anticristãs, crescentemente presentes na sociedade de hoje. Sim, o problema não é que as universidades são seculares, mas sim que são anticristãs, militantes do ateísmo, quando deveriam discutir abertamente todos os pontos de vista.

Nos Estados Unidos, o número de estudantes cristãos que abandonam a fé ao entrarem na universidade ou mesmo nos últimos anos do ensino médio gira em torno dos alarmantes 75 a 80%. No Brasil, a projeção não é diferente e a razão para isso é o desafio cético, que de forma bem sucedida é apresentado no filme “Deus não está morto.”

O enredo se inicia quando Josh Wheaton (encenado por Shane Harper), um aluno cristão ingressante na universidade se inscreve na disciplina de Filosofia ministrada pelo Professor Radisson (encenado por Kevin Sorbo). O professor, ateu militante, resolve que os alunos devem copiar em uma folha a famosa frase nietzschiana “Deus está morto”, assiná-la, e entregar ao professor para se livrar da parte do curso em que todos tiram notas ruins.

Os alunos, alguns por medo e outros por convicção, resolvem fazer o que o professor pediu, à exceção de Josh, que se recusa a negar a sua fé. Então, o professor o convida a provar em frente à classe o contrário, ou seja, que Deus não está morto. Josh aceita o desafio e o filme se desenvolve em torno disso.

“Deus não está morto” apresenta argumentos de apologética muito importantes, a exemplo do argumento cosmológico e do da moralidade. O filme, inclusive, cita pessoas de peso como John Lennox e o insuperável C. S. Lewis, além de demonstrar, por meio das histórias e enredos que narra, a diferença entre ateísmo intelectual e moral.

Mas, antes do filme ser indicado pelos bons argumentos que apresenta, ele é por duas razões principais: oferece para a sociedade um quadro realista do ambiente que os jovens enfrentarão ao entrarem na universidade; e traz à tona o debate sobre a importância da apologética.

Não há mais sentido em manter as igrejas fechadas para os fundamentos racionais da fé cristã, para a defesa da fé. Cada vez mais os cristãos são colocados em situações em que devem saber não apenas em que creem mas também o porquê creem.

Se os nossos jovens não forem treinados nas igrejas para pensarem a sua fé, não saberão por que devem mantê-la quando enfrentarem o ambiente hostil das universidades. O filme “Deus não está morto” é central para que vejamos o que acontece e para que tomemos uma medida séria nas igrejas no sentido de ensinar a defesa da fé para a nossa juventude.

Não podemos abrir mão de nossos filhos, para que eles não se tornem jovens como aquele sobre o qual falei no início: vivendo uma vida sem esperança, sem sentido, e afastada de Deus simplesmente porque ninguém o ensinou que a fé em Cristo é antes de tudo um comprometimento com a verdade e que, por isso, não devemos temer o conhecimento.

O senhor grisalho se envolveu com a apologética para resgatar o seu filho para a verdade. Trabalha diuturnamente para que isso aconteça. No nosso caso, se não tomarmos uma medida urgente pode ser que seja tarde demais. É hora de agir: sabemos que Deus não está morto, mas será que estamos seguros que nossa juventude não caminha para a morte espiritual? O que temos feito para preparar os nossos jovens para o desafio cético que cresce a cada dia?

Deus os abençoe,

Tassos Lycurgo

OBS: Veja também Breve mensagem aos jovens sobre o filme “Deus não está morto”.