Como posso preencher o vazio da minha vida?

Por que há tantas pessoas que têm as suas necessidades básicas supridas e são tão infelizes, descontentes e depressivas?

Ora, se não houvesse Deus, a vida nada mais seria do que matéria mais acaso mais chance. A felicidade seria, portanto, fruto do prazer. Mas, não é bem assim que ocorre: aqueles que tem tudo e não tem Deus agem como se não tivessem nada.

Curiosamente, a incidência de tristeza profunda e depressão é diretamente proporcional ao desenvolvimento do país e à classe socioeconômica da pessoa. Se não existisse Deus, isso não seria possível. Prazer traria felicidade e ponto final.

A verdade é que há algo a ser preenchido em nossas vidas que nem toda a riqueza gerada pelo mundo poderia preencher. Não raros são os casos de grandes executivos que entram em problemas de profunda tristeza quando chegam ao ápice de suas carreiras. É que notaram que a posição e o dinheiro que buscavam não preencheriam aquele vazio em suas vidas. É que, ao chegarem ao topo, viram que não havia nada lá.

C. S. Lewis, pensando sobre essa questão, respondeu de forma magistral. Ele disse:

Eu descobri em mim mesmo desejos os quais nada nesta Terra pode satisfazer. A única explicação lógica é que eu fui feito para outro mundo. (C. S. Lewis).

De fato, existem desejos que são de coisas que somente o outro mundo pode oferecer. Somente Deus é grande o suficiente para isso. Viver a vida sem Deus é como uma corrida em que a linha de chegada também está em movimento: sempre falta algo, nunca está bom, sempre há infelicidade.

Muitas pessoas, sem saber o que fazer com o vazio de suas existências e sem querer que Deus entre em suas vidas, enveredam por caminhos que não levam a lugar nenhum. Esses caminhos são centrados no homem e não em Deus. Vamos ver alguns:

  • Caminho 1: As pessoas compram mais (mas usufruem menos)

Muitos acham que a aquisição de coisas solucionará o problema do vazio na vida. Por isso, enveredam por uma loucura em comprar; mas, como isso não resolve, voltam a comprar mais ainda.

De fato, nunca se viram pessoas tão consumistas. Comprar passou a ser um fim em si mesmo. Compra-se hoje e amanhã já se está obsoleto, para que se precise comprar de novo.

Para os que não tem Cristo e procuram a satisfação nos bens que compram, a tarefa é mesmo interminável. Somente Deus é grande o suficiente para preencher a lacuna da nossa alma.

Comprar, progredir financeiramente, e ser bem-sucedido não são o problema. O problema é fazer disso o ídolo, é tentar fazer disso aquilo que dará sentido à vida. Aqueles que se enveredam por esse caminho, encontram a pior das prisões: a prisão que acompanha a pessoa para onde ela vai.

  • Caminho 2: As pessoas procuram mais conveniências (mas têm menos tempo para tudo)

Cada vez mais, a comunicação está instantânea. Uma pessoa no Japão, com o uso da tecnologia, pode se comunicar com outra no Brasil a um custo muito baixo ou mesmo gratuitamente.

Nossos carros andam mais rápido; as comidas são pré-cozidas senão prontas para o consumo em qualquer loja de conveniência ou nos supermercados 24h; as cartas são e-mails e chegam ao destino mais rapidamente do que o tempo que precisaríamos para colar o selo nos antigos envelopes; a Internet favoreceu o download de livros, revistas, compras virtuais, etc. Enfim, o mundo está infinitamente mais conveniente.

Mas o que a lógica do mundo sugere que adotemos juntamente com tudo isso? A falta de tempo, o estresse, o aborrecimento. Como podemos ter tudo isso, e perder tanto daquilo que realmente é essencial à vida com qualidade?

Somente Cristo pode nos dar a tranquilidade que buscamos, somente Cristo reverte esta lógica nefasta. Sem Cristo, o mundo é um correria em círculos, em que as pessoas querem ir cada vez mais rápido sem se darem conta de que estão em uma pista circular, que não levará a lugar nenhum.

Veja o que Salomão tem a dizer sobre a tentativa que ele empreendeu em buscar por si só preenchimento do vazio na própria vida:

Decidi-me entregar ao vinho e à extravagância; mantendo, porém, a mente orientada pela sabedoria. Eu queria saber o que valesse a pena, debaixo do céu, nos poucos dias da vida humana. Lancei-me a grandes projetos: construí casas e plantei vinhas para mim. Fiz jardins e pomares, e neles plantei todo tipo de árvore frutífera. Construí também reservatórios para regar os meus bosques verdejantes. Comprei escravos e escravas e tive escravos que nasceram em minha casa. Além disso tive também mais bois e ovelhas do que todos os que viveram antes de mim em Jerusalém. Ajuntei para mim prata e ouro, tesouros de reis e de províncias. Servi-me de cantores e cantoras, e também de um harém, as delícias do homem. Tornei-me mais famoso e poderoso do que todos os que viveram em Jerusalém antes de mim, conservando comigo a minha sabedoria. Não me neguei nada que os meus olhos desejaram; não me recusei a dar prazer algum ao meu coração. Na verdade, eu me alegrei em todo o meu trabalho; essa foi a recompensa de todo o meu esforço. Contudo, quando avaliei tudo o que as minhas mãos haviam feito e o trabalho que eu tanto me esforçara para realizar, percebi que tudo foi inútil, foi correr atrás do vento; não há qualquer proveito no que se faz debaixo do sol. (Eclesiastes 2:3-11)

  • Caminho 3: As pessoas investem muito mais em suas casas (mas muito menos em seus lares)

A sociedade de hoje incentiva todos a terem casas sofisticadas, com equipamentos que são capazes de fazer tudo no mundo. As televisões são modernas, os sons são sofisticados, as tintas são de cores personalizadas.

Mas e o cuidado com as famílias, como os lares? Muitos tem famílias desestruturadas, lares destruídos. Muitos se dedicam de forma desproporcional ao trabalho, à carreira, dão anos preciosos da vida para o que não vale a pena, coisas que o afastaram da esposa, do filhos e, principalmente, o afastam de Deus.

Quando as pessoas tiram Deus da equação da vida, deixam de ter aquele que é capaz de lhes dar sentido à existência e passam a procurar preencher este lugar com outras coisas. O resultado é desastroso e a primeira vítima depois da própria pessoa é a família. Muitos, quando se dão conta, já perderam tudo.

O que por certo podemos concluir é que não é o dinheiro nem a riqueza que preenchem o vazio da vida. Somente Deus é capaz de fazer isso e somente há uma maneira em que isso pode ocorrer, permitindo que Ele venha a habitar em você. No Cristianismo, você não precisa construir o seu caminho até Deus, mas é Ele é que quer ir até você. O caminho para isso está construído, basta que você decida segui-lo. Se você quer realmente ter uma vida plena, tudo o que é preciso é fazer conversar com Deus, que sua vida nunca será mais a mesma.

Deus abençoe,

Tassos Lycurgo