Como é a igreja cheia do Espírito?

O nosso ministério tem passado por várias fases, sempre seguindo a orientação de Deus e o direcionamento do Seu Espírito. Nos últimos meses, temos orado e meditado sobre como atender a uma orientação que o Espírito Santo de Deus colocou em nossos corações: a de promover, juntamente com o que já fazemos, um braço do ministério que possa acompanhar de perto as pessoas que são tocadas pela Verdade do Evangelho de Jesus Cristo.

Surgiu assim o direcionamento de fazermos encontros semanais para não só podermos agradecer e louvar a Deus por tudo o que Ele tem feito (Efésios 3:20-21), como também acompanhar de mais perto nesta jornada para o estabelecimento do Reino de Deus na Terra as pessoas que amamos.

Pensando sobre o que seria mais importante para que essas reuniões fossem relevantes para as vidas das pessoas que desejassem participar delas, não demorei a concluir que elas deveriam ser cheias da presença de Deus, cheias do Espírito Santo de Deus.

Assim, veio-me a pergunta: o que faz com que essas reuniões (ou uma igreja convencional) possam ser cheias do Espírito Santo?

A resposta para isso não é tão simples. A dificuldade, em parte, decorre de um aspecto que logo me chamou a atenção: entre as pessoas da Trindade, quais sejam, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, este é de longe o menos entendido e aquele sobre quem mais se cometem erros.

Gostaria de repetir, dizendo que o Espírito Santo não apenas é mal-entendido, como também é recordista em interpretações erradas dele.

Para tentar entender como as reuniões podem sempre ser cheias do Espírito Santo, decidi não apenas conversar em uma única oportunidade sobre o Espírito Santo de Deus, mas sim elaborar uma série sobre esta pessoa: mostrando quem Ele é, qual é a sua personalidade, como devemos nos relacionar com Ele, enfim.

É bem verdade que há aproximadamente três meses, eu já havia tratado de um desses aspectos do Espírito Santo aqui no blog. Escrevi um texto em duas partes, às quais dei o título de “11 Características da Personalidade do Espírito Santo”, parte 1 e parte 2.

As publicações a que me referi anteriormente tinham mais ou menos como base uma palestra proferida pelo irmão John Bevere a que eu e minha família assistimos. Da mesma forma, utilizarei um pouco um dos livros do irmão Bevere deste ponto em diante do texto. O livro a que me refiro é o “Holy Spirit: an introduction“, que, conforme acabei de verificar aqui na Internet, já está inclusive traduzido para o português como “O Espírito Santo: uma introdução“.

Dito isso, vejamos então como podemos começar a entender a maneira de fazer reuniões cheias do Espírito.

Para tanto, vamos começar pensando nas reuniões da Antiguidade. Quero dizer, aquelas que se iniciaram no livro de Atos, às quais muitos chamam de Igreja Primitiva.

Se tomarmos como base a igreja primitiva, iremos ficar absolutamente impressionados sobre a importância do Espírito Santo de Deus para a vida dos cristãos daquela época. Praticamente não poderíamos identificar nenhuma atitude importante na Igreja Primitiva que não tivesse recebido a influência direta e clara do Espírito Santo de Deus.

Os líderes da igreja eram os que mais tinham de estar sensíveis ao Espírito Santo para tomar decisões de acordo com o direcionamento de Deus.

Para dar um exemplo da ação direta do Espírito Santo nas decisões dos cristãos, fiquemos com a proibição específica a Paulo e Timóteo de naquele momento irem pregar a Palavra na Ásia (sim, o Espírito Santo pode falar com você de forma específica!):

E, percorrendo a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia (Atos 16:6).

Este, entre tantos outros exemplo, mostra como os cristãos estavam prestando atenção ao que queria do Espírito Santo de Deus e não o que eles mesmo queriam. Todos sabemos que é da vontade de Deus que o Evangelho seja pregado em toda parte, por todo mundo (Marcos 16:15), no entanto aquele não era o tempo certo para que aqueles homens específicos fossem fazer isso naquela parte do planeta. A vontade específica de Deus para cada um de nós tem um conteúdo específico e também um tempo certo de realização.

Parece-nos, então, que um dos pontos centrais para termos reuniões cheias do Espírito é a intimidade das pessoas com o Ele, o Espírito Santo de Deus. Realmente, intimidade com o Espírito Santo é a maneira que buscarmos em Deus o seu querer para a nossa vida.

Não nos esqueçamos que o Espírito Santo é a pessoa da Trindade que mais perto de nós está e é a ela que deveríamos mais conhecer. O Espírito Santo é aquele que Cristo envia para ficar no lugar dele, é o verdadeiro paracleto, o substituidor de Cristo.

Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. (João 16:7)

Vimos até aqui que para que tenhamos reuniões cheias do Espírito Santo de Deus é preciso que desenvolvamos intimidade como ele. Vamos pensar um pouco sobre o que isso quer dizer de um ponto de vista mais prático.

O primeiro ponto mais importante é que apenas com intimidade com o Espírito Santo de Deus é que o líder poderá garantir que as reuniões evoluam de acordo com a vontade de Deus e não com a sua própria, isso, conforme disse, tanto no conteúdo como no tempo de implementação do conteúdo.

Aqui é que o pastor de uma igreja qualquer saberá entender a visão de Deus para essas reuniões se for o Espírito Santo que o revelar e, por sua vez, o Espírito Santo só poderá revelar se o pastor tiver intimidade com Ele.

Em termos mais objetivos, é Deus, por meio de seu Espírito, que revela a visão das reuniões (ou, se preferir, da Igreja) para o líder; da mesma forma, o Espírito Santo de Deus também revelará e testificará quanto ao papel de cada um no grupo.

Uma pessoa que não é atenta ao que o Espírito Santo quer para a sua vida fica facilmente suscetível a cair nas armadilhas das vantagens do que pode oferecer a lógica do mundo. É a convicção no Espírito de que está fazendo o correto independente de qualquer coisa que faz crer que a convicção está sempre em Deus.

Sem busca pelo Espírito Santo, a visão do pessoa não será a visão de Deus. Será a sua própria. Somente pelo Espírito Santo, podemos obter a visão que Deus tem para a vida de cada um e, no caso do líder, também para igreja.

Outro aspecto essencial à igreja que provem do Espírito Santo de Deus é a verdadeira alegria e paz interiores.

A igreja é um organismo que tem muitos desafios, os quais não podem ser transformados em elementos que impossibilitem a implantação da visão que Deus deu. Somente quem é movido pelo Espírito Santo conseguirá atravessar estes obstáculos com sincera e honesta paz e alegria interiores, sabendo que ele está fazendo o que Deus mandou e da forma que o Espírito Santo de Deus determinou.

Um termômetro de que a igreja está cheia do Espírito é quando as pessoas estão em paz e alegria honestas.

É interessante notar que não há paz e alegria sem liberdade. Sabemos que Cristo nos libertou para a vida nele, de maneira que o Espírito de Deus não age de outra forma senão incentivando a liberdade para que se possa escolher com convicção o caminho a seguir.

Assim, vimos até agora alguns elementos que fazem com que uma igreja seja cheia do Espírito de Deus, de maneira que já podemos concluir dizendo que uma igreja cheia do Espírito de Deus é aquela em que as pessoas estão verdadeiramente desfrutando em paz e com alegria da liberdade conquistada em Cristo para seguir a visão que o Espírito Santo revelou ao líder da igreja.

Caso tenha alguma dúvida, por favor coloque nos comentários logo abaixo.

Deus abençoe,

Tassos Lycurgo