A Bíblia diz que Jesus é Deus? (Parte II)

Entender que Jesus não foi apenas um homem, mas sim a própria segunda pessoa da Trindade que habitou entre nós é central para a aceitação do Cristianismo como a única visão de mundo que efetivamente descreve a verdade, ou seja, descreve a realidade das coisas como elas efetivamente são.

Em defesa da divindade de Jesus, já publiquei dois textos aqui tratando do assunto.

No primeiro deles, de título “Jesus é Deus! E agora?“, nosso intuito foi o de apresentar que a Bíblia a todo momento descreve o comportamento de Jesus como o comportamento de alguém que desfrutava de natureza divina, pois Jesus sempre:

  • Apresentava autoridade sobre as coisas materiais e espirituais;
  • Apresentava autoridade para falar como Deus; e, entre outros,
  • Apresentava autoridade para perdoar os pecados de qualquer pessoa.

No segundo texto, “A Bíblia diz que Jesus é Deus? (Parte I)“, que escrevi há uma semana e foi a primeira parte deste nosso bate-papo de hoje, nosso intuito foi o de demonstrar que as Escrituras não apenas apresentam Jesus se comportando como Deus, como também se referem a Ele nesta condição. Mais do que isso, demonstramos que a Bíblia de refere a Jesus na condição de Deus:

  • Quando se refere diretamente a Ele;
  • Quando fala de sua vinda; e também
  • Quando fala de seu retorno.

Caso você não tenha lido os referidos textos ainda, sugiro que vá a eles agora e os leia (segue novamente os links deles: aqui e aqui). Após isso, volte a este ponto e continue a leitura. Penso que assim você poderá ter uma visão mais sólida e abrangente da questão da divindade de Jesus.

O objetivo do nosso bate-papo de hoje é o de dar mais subsídio para o estudo que você já iniciou nos referidos textos. A maneira de fazer isso será apresentando um número bem maior de versos em que a Bíblia sustenta de forma inquestionável a alegação de Jesus de que Ele era Deus.

Para começar, vamos analisar se o Novo Testamento se refere a Jesus como Deus.

Caso haja alguma dúvida sobre quaisquer dos versos apresentados, por favor não hesite em colocá-las nos comentários logo abaixo.

…aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus (Titus 2:13)

Devo apenas registrar que o termo “Deus”, colocado em negrito, é a tradução do grego “theos”.

Também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna. (1 João 5:20)

Se formos para o original aqui, vamos ver que “verdadeiro Deus” é tradução do grego que poderia ser transcrito para os nossos caracteres da seguinte forma: “alethinos theos”.

O vocábulo “alethinos” tem o mesmo radical do termo “Aletheia”, que conforme toda construção da filosofia da Idade Antiga representa: a verdade única, genuína, real. Assim, a expressão do verso em questão somente poderia designar alguém que não apenas fosse tratado como Deus, que parecesse um deus, mas sim alguém que tivesse em si a genuína essência de Deus. Este foi Jesus Cristo.

…deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém! (Romanos 9:5)

Aqui, mais uma vez temos o uso do termo “theos”, desta vez com a adjetivação de “bendito”, uma das principais características de Deus.

Por fim, não podemos nos esquecer da passagem sobre este assunto que talvez seja a mais bonita entre todas:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. (João 1:1)

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai. (João 1:14)

O termo “verbo”, aqui, é traduzido de “Logos”, que por sua vez é um elemento central no estudo da filosofia, representando, explicando de forma rápida, o fundamento de tudo o que existe, a razão de ser de tudo que é.

É impressionante que as Escrituras se referem a Jesus utilizando dois dos termos mais importantes da filosofia, quais seja, “Logos” e “Aletheia”, ou seja, “Razão” e “Verdade”. Caso você queira ver uma referência direta de Jesus à Aletheia, basta ler João 14:6, em que o próprio Cristo afirma ser a Aletheia, a Verdade.

Fora os versos apresentados, ainda vemos situações em que a Bíblia apresenta claramente Jesus como participante da mesma natureza do Pai. A este respeito, sugiro leitura de João 10:30, 12:45, e 14-810.

A primeira dessas passagens é claríssima. Aqui, vemos Jesus sendo interrogado e afirmando de forma direta e clara:

Eu e o Pai somos um. (João 10:30)

Neste ponto, parece mais do que claro que a Bíblia apresenta Jesus como Deus.

Há, no entanto, uma passagem que é especialmente importante do meu ponto de vista. Falo da seguinte:

Perguntaram- lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos e viste Abraão? Respondeu- lhes Jesus:Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU. (João 8:57-58)

A pergunta dos judeus aqui era quanto ao paradoxo da idade. Como alguém com menos de cinquenta anos poderia ter encontrado alguém que viveu dois mil anos antes? Não seria possível.

Jesus, por sua vez, não dá uma resposta cronológica. Mesmo que ele quisesse dizer que já havia nascido antes de Abraão, sua resposta seria: “Antes que Abraão existisse, eu ERA”. Jesus, contudo, disse: “EU SOU”.

E o que isso quer dizer?

Ora, esta é uma referência muito muito forte para os judeus. Para entender o porquê, vamos ver o que o livro de Êxodo (o segundo livro da Torá dos judeus) tem a nos dizer:

Disse Moisés a Deus: Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais:Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros. (Êxodo 3:13-14).

A alegação que ficou clara aqui para os judeus foi a de que Jesus estava dizendo que era Deus, o que existia por si mesmo e desde sempre.

Tanto foi assim, que a reação imediata dos judeus foi considerar aquilo uma blasfêmia, conforme vemos pela reação dos judeus descrita no verso imediatamente posterior à afirmação de Jesus de que era o “EU SOU”:

Então, pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo. (João 8:59).

Os judeus quiseram apedrejar Cristo pelo que Ele disse. E isso é explicado, repito, porque os judeus consideraram a afirmação de Jesus sobre si de que era o mesmo Deus de Abrãao, Isaac e Jacó, uma verdadeira blasfêmia.

Ainda há muitas outras passagens que apresentam características divinas a Cristo, como onipresença, onipotência, entre outras. Mas isso será assunto para o nosso próximo bate-papo.

Caso tenha alguma dúvida, por favor coloque nos comentários.

Deus abençoe,

Tassos Lycurgo